Spodoptera frugiperda

Spodoptera frugiperda

Inseto

Também conhecida como: Lagarta-do-cartucho-do-milho, Lagarta-militar

Spodoptera frugiperda

Classificação biológica

Classe

Insecta

Ordem

Lepidoptera

Família

Noctuidae

Gênero

Spodoptera

Descrição geral

Identificação

A lagarta-do-cartucho é uma importante praga agrícola.

Ela pode causar danos significativos principalmente em condições favoráveis.

Monitoramento

  • Realizar inspeções semanais.
  • Observar folhas novas.
  • Avaliar a presença de lagartas.

Manejo

  1. Monitorar a área.
  2. Identificar corretamente a praga.
  3. Adotar as medidas de manejo recomendadas.

Identificação

A identificação correta de Spodoptera frugiperda é importante porque diferentes espécies de lagartas podem ocorrer simultaneamente nas lavouras e apresentar aparência semelhante.

Lagarta

A coloração pode variar conforme o estádio de desenvolvimento, alimentação e condições ambientais, podendo apresentar tonalidades esverdeadas, pardas, acinzentadas ou escuras.

Entre as características utilizadas para identificação estão:

presença de linhas longitudinais no corpo;
manchas e pontos escuros;
quatro pontos escuros no dorso do oitavo segmento abdominal, formando aproximadamente um quadrado;
presença de uma marca característica em formato de Y invertido na cabeça;
cápsula cefálica geralmente escura;
presença de pelos associados a estruturas dorsais.

A combinação dessas características é mais confiável do que a utilização isolada da coloração da lagarta.

Ovos

Os ovos são geralmente colocados em massas, frequentemente em camadas sobrepostas na superfície das folhas.

As massas podem apresentar cobertura formada por escamas da fêmea, conferindo aspecto de camada ou feltro sobre os ovos.

A coloração pode mudar durante o desenvolvimento embrionário.

Pupa

Ao completar a fase larval, a lagarta normalmente deixa a parte aérea da planta e penetra no solo para realizar a pupação.

A pupa apresenta coloração avermelhada a marrom e mede aproximadamente 15 mm.

Adulto

O adulto é uma mariposa de hábito predominantemente noturno.

As asas anteriores apresentam coloração pardo-escura ou acinzentada, com padrões e manchas características. As asas posteriores são mais claras.

A identificação de adultos pode ser utilizada em programas de monitoramento com armadilhas e feromônios.

Danos causados

Os danos são provocados principalmente pela fase larval.

Nas fases iniciais, as lagartas podem raspar os tecidos das folhas, produzindo áreas raspadas ou translúcidas.

Com o crescimento, passam a consumir maior quantidade de tecido vegetal, causando:

perfurações nas folhas;
raspagem intensa;
desfolha;
danos às folhas novas;
destruição do cartucho;
presença de excrementos no cartucho;
redução da área foliar.

No milho, as lagartas maiores normalmente se dirigem para o interior do cartucho, onde encontram proteção e folhas em desenvolvimento.

Em plantas jovens, ataques intensos podem comprometer seriamente o desenvolvimento da planta.

A intensidade do dano depende do número de lagartas, tamanho das lagartas, estádio da cultura, capacidade de recuperação das plantas e condições ambientais.

Ciclo biológico

O ciclo de Spodoptera frugiperda compreende quatro fases:

Ovo → Larva → Pupa → Adulto

A duração do ciclo varia de acordo com temperatura, planta hospedeira, qualidade do alimento e condições ambientais.

Em condições favoráveis, a fase de ovo pode durar aproximadamente 3 a 5 dias.

A fase larval é a principal responsável pelos danos às culturas e pode durar aproximadamente 12 a 30 dias, dependendo das condições.

Após completar o desenvolvimento, a lagarta penetra no solo e forma a pupa. Essa fase pode durar aproximadamente 10 a 12 dias em condições favoráveis.

O ciclo completo de ovo a adulto pode variar aproximadamente entre 33 e 48 dias, dependendo principalmente do hospedeiro e da temperatura.

A espécie pode apresentar várias gerações ao longo do ano e gerações sobrepostas quando existem condições favoráveis e disponibilidade contínua de plantas hospedeiras.

Condições favoráveis

A ocorrência e o desenvolvimento de Spodoptera frugiperda são influenciados por fatores ambientais e pelo sistema de produção.

Entre as condições que podem favorecer a permanência da praga estão:

temperaturas favoráveis ao desenvolvimento;
disponibilidade contínua de plantas hospedeiras;
presença de gramíneas;
sucessão de culturas;
plantas voluntárias;
presença de plantas hospedeiras na área ou proximidades;
baixa ocorrência ou redução de inimigos naturais;
cultivo sucessivo de culturas suscetíveis;
condições favoráveis à reprodução e sobrevivência.

Sistemas agrícolas com disponibilidade contínua de hospedeiros podem favorecer a manutenção da população entre diferentes ciclos de cultivo.

Importância econômica

Spodoptera frugiperda é uma das principais pragas associadas à cultura do milho no Brasil.

Sua importância econômica está relacionada principalmente à ampla distribuição, capacidade de utilizar diferentes hospedeiros, elevada capacidade reprodutiva e ocorrência de várias gerações.

A disponibilidade contínua de plantas hospedeiras pode favorecer a permanência da espécie no sistema produtivo.

Além do milho, a espécie pode causar danos economicamente relevantes em outras culturas agrícolas.

A ocorrência da praga, entretanto, não significa necessariamente que haverá perda econômica. A necessidade de controle deve ser determinada a partir do monitoramento, estádio da cultura, população da praga, intensidade do dano e critérios técnicos de tomada de decisão.

Monitoramento

O monitoramento deve ser realizado desde os estádios iniciais da cultura e continuar durante o desenvolvimento das plantas.

A inspeção deve considerar:

presença de ovos;
presença de lagartas;
tamanho das lagartas;
intensidade dos danos;
presença de excrementos;
localização das lagartas na planta;
estádio de desenvolvimento da cultura;
distribuição da infestação;
presença de inimigos naturais.

No milho, deve-se observar especialmente as folhas novas e o cartucho.

O monitoramento de adultos também pode ser realizado utilizando armadilhas com feromônio sexual, principalmente quando o objetivo é acompanhar a atividade de adultos e auxiliar na tomada de decisão.

A presença de adultos na área não deve ser utilizada isoladamente para determinar a necessidade de controle.

A amostragem deve representar adequadamente a área, pois a infestação pode apresentar distribuição irregular, com ocorrência de reboleiras.

Manejo e controle

Controle cultural

O controle cultural busca reduzir as condições que favorecem a permanência e multiplicação da praga.

Entre as estratégias estão:

planejamento da sucessão de culturas;
manejo de plantas voluntárias;
manejo adequado de plantas daninhas hospedeiras;
redução da disponibilidade contínua de hospedeiros;
acompanhamento de áreas vizinhas;
atenção ao histórico de infestação da área;
adoção de boas práticas de estabelecimento e desenvolvimento da cultura.

O manejo cultural deve ser integrado às demais estratégias do MIP.

Controle biológico

O controle biológico de Spodoptera frugiperda pode ser realizado principalmente com bioinseticidas à base de baculovírus e Bacillus thuringiensis (Bt).

Essas ferramentas apresentam melhor desempenho sobre lagartas jovens, por isso o monitoramento é fundamental para identificar o início da infestação.

O controle biológico pode ser integrado a outras estratégias do Manejo Integrado de Pragas, incluindo tecnologias Bt, controle cultural e controle químico quando necessário.

A conservação de inimigos naturais, como parasitoides e predadores, também contribui para a redução das populações da praga.

Controle químico

O controle químico deve ser realizado com base no monitoramento da lavoura, priorizando o controle de lagartas pequenas, quando ainda estão mais expostas e suscetíveis.

A eficiência depende do momento da aplicação, tamanho das lagartas e qualidade da aplicação, especialmente quando a praga está protegida dentro do cartucho.

A escolha do inseticida deve considerar a cultura, a praga, o mecanismo de ação e o registro vigente.

Para reduzir o risco de resistência, recomenda-se alternar mecanismos de ação e evitar aplicações repetitivas do mesmo grupo.

No WikiAgro, os produtos específicos devem ser consultados diretamente no Bulário, sempre de acordo com o registro e a bula vigente.

Resistência a inseticidas

A evolução de resistência de Spodoptera frugiperda a inseticidas constitui um dos principais desafios para o manejo da espécie.

A utilização repetitiva de inseticidas com o mesmo mecanismo de ação exerce pressão de seleção sobre a população.

Indivíduos naturalmente mais tolerantes podem sobreviver às aplicações e contribuir para o aumento da frequência de resistência ao longo das gerações.

Falhas de controle não devem ser solucionadas simplesmente aumentando a dose do produto.

Entre as estratégias de manejo da resistência estão:

alternância de mecanismos de ação;
evitar aplicações repetitivas do mesmo grupo;
utilização de inseticidas somente quando necessários;
cumprimento das doses e condições de bula;
monitoramento da eficiência após a aplicação;
integração de diferentes métodos de controle;
preservação dos inimigos naturais.

A rotação deve considerar o mecanismo de ação, e não apenas a troca do nome comercial do produto.

Você sabia?

A lagarta pode ser identificada por uma característica na cabeça

Uma das características mais conhecidas para identificação de Spodoptera frugiperda é o desenho semelhante a um Y invertido na cabeça da lagarta.

Ela não ataca apenas milho

Apesar de ser especialmente conhecida como lagarta-do-cartucho do milho, S. frugiperda é uma espécie polífaga e pode utilizar diversas culturas e plantas hospedeiras.

🔬 Existem populações associadas a diferentes grupos de hospedeiros

A literatura científica descreve populações tradicionalmente chamadas de "milho" e "arroz", associadas preferencialmente a diferentes grupos de plantas hospedeiras.

A praga possui muitos inimigos naturais

Ovos e lagartas podem ser atacados por diferentes parasitoides e predadores, que contribuem naturalmente para a redução da população.

Resistência é um dos grandes desafios

A exposição repetitiva a determinados mecanismos de ação pode favorecer a seleção de populações resistentes, tornando o manejo cada vez mais difícil.

O manejo começa antes da aplicação

Identificação correta, monitoramento e tomada de decisão fazem parte do manejo da praga e ajudam a evitar aplicações desnecessárias.

Culturas afetadas

  • TESTE V238 — Cultura E2E

Produtos registrados no MAPA

Produtos derivados de indicações oficiais vinculadas ao organismo.

Referências

EMBRAPA — Informações técnicas sobre Spodoptera frugiperda e manejo de pragas agrícolas.
CRUZ, I.; FIGUEIREDO, M. L. C.; MATOSO, M. J. Controle biológico de Spodoptera frugiperda utilizando o parasitoide de ovos Trichogramma. Embrapa Milho e Sorgo.
EMBRAPA — Cultura do Algodão no Cerrado: informações sobre o complexo Spodoptera e biologia de S. frugiperda.
CRUZ, I.; FIGUEIREDO, M. L. C.; SILVA, R. B. Monitoramento de adultos de Spodoptera frugiperda e Diatraea saccharalis em regiões produtoras de milho no Brasil.
CRUZ, I. Manejo da resistência de insetos-praga a inseticidas, com ênfase em Spodoptera frugiperda.
Figueiredo, M. L. C.; Martins-Dias, A. M. P.; Cruz, I. Relação entre a lagarta-do-cartucho e seus agentes de controle biológico natural na produção de milho.
CABI — Invasiveness, biology, ecology, and management of the fall armyworm, Spodoptera frugiperda.
Literatura científica especializada em entomologia agrícola e manejo integrado de pragas.